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Brasil ganha Centro para transformar biodiversidade em Insumos Farmacêuticos Ativos

Publicado em 3 julho, 2026

Unidade Embrapii Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) foi selecionada para abrigar Centro de Competência em IFA a partir da biodiversidade brasileira

Iniciativa da Embrapii, com CNPEM, mira autonomia tecnológica, fortalecimento do SUS e redução da dependência de insumos importados

 

O Brasil ganhará um novo Centro de Competência para transformar a biodiversidade nacional em Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs), ampliar a capacidade de desenvolver medicamentos inovadores, fortalecer o Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir a dependência de importações em um setor estratégico para o país. Com investimento de R$ 60 milhões, a iniciativa será conduzida pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP), selecionado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

 

O Centro chega em um momento considerado decisivo para o setor. De acordo com estudo do BNDES sobre o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), 90% dos IFAs utilizados pela indústria farmacêutica nacional são importados. Em alguns segmentos, essa dependência chega a 95%, tornando o país vulnerável a crises internacionais, oscilações cambiais e interrupções nas cadeias globais de suprimento, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi). Ao investir na pesquisa e no desenvolvimento de IFAs a partir da biodiversidade brasileira, o novo Centro de Competência contribuirá para fortalecer o CEIS, ampliar a autonomia tecnológica nacional e levar ao SUS tecnologias desenvolvidas no país.

 

Está previsto o desenvolvimento de pesquisas para transformar ativos naturais encontrados nos diferentes biomas brasileiros em novos medicamentos, especialmente para o tratamento de doenças negligenciadas e condições de saúde com alta incidência no país.

 

O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) permitirá a pesquisa e o desenvolvimento de novas rotas tecnológicas para produção dessas substâncias responsáveis pelo efeito terapêutico dos medicamentos. O CNPEM passa a integrar a rede de outros 11 Centros de Competência Embrapii voltados ao desenvolvimento de tecnologias de fronteira.

 

A secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), Fernanda De Negri, reforça que esta é mais uma parceria com o CNPEM, centro-âncora do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, onde financia a instalação de um laboratório de pesquisa e desenvolvimento dedicado às necessidades estratégicas do setor produtivo de saúde, com foco na indústria farmacêutica. “A indústria já avançou bastante com os genéricos, depois começou a fazer inovação incremental. Temos condição de dar um passo para fazer inovação mais radical, procurar desenvolver novas moléculas no Brasil. E isso passa por instrumentos que estimulem a indústria nacional, seja ela pública ou privada, a desenvolver novos medicamentos”, afirma.

 

O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, avalia que, além de fortalecer a capacidade nacional de desenvolver insumos estratégicos, o novo Centro de Competência vai formar profissionais qualificados e aproximar ciência e indústria para que novos medicamentos cheguem mais rapidamente à população. “É um investimento que gera conhecimento, competitividade e soberania tecnológica para o Brasil.”

 

Para o diretor-geral do CNPEM, Antonio José Roque da Silva, o processo de inovação exige a articulação de competências diversas e a construção de ambientes colaborativos capazes de conectar ciência, tecnologia, setor produtivo e políticas públicas. “Nesse contexto, o Centro de Competência, sediado no CNPEM, foi concebido para atuar como um ambiente de integração entre pesquisadores, empresas e instituições, acelerando o desenvolvimento de IFAs a partir da biodiversidade brasileira”. Os recursos para o Centro de Competência serão aportados pelo Ministério da Saúde.

 

O que diz a indústria

 

Ao aproximar ciência e indústria, a iniciativa deve agilizar o surgimento de novos negócios de base tecnológica, gerar empregos qualificados, atrair investimentos, ampliar a competitividade do setor farmacêutico nacional e fortalecer o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) com tecnologias desenvolvidas no país.

 

Para representantes da indústria farmacêutica, o Centro de Competência cria as condições necessárias para aproximar ciência e mercado e ampliar a capacidade nacional de inovação.

 

O CEO do Aché Laboratórios, Hatylas Azevedo, destaca que, mesmo com a maior biodiversidade do planeta, o Brasil ainda ocupa uma posição modesta na geração de medicamentos inovadores. Segundo ele, o novo Centro de Competência poderá mudar esse cenário ao integrar competências em fitoquímica, biologia estrutural, ensaios biológicos de alta escala, bibliotecas de produtos naturais e química medicinal em uma plataforma voltada ao desenvolvimento de novas terapias. “Mais do que ciência, trata-se de soberania tecnológica e protagonismo industrial”, afirma.

 

Para o diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Cristália, German Wassermann, a articulação entre poder público, instituições científicas e empresas representa um avanço estratégico para o país. “Essa iniciativa amplia a capacidade nacional de desenvolver medicamentos estratégicos, reduz a dependência externa e fortalece o Brasil como referência internacional em inovação farmacêutica, aliando competitividade, responsabilidade ambiental e visão de longo prazo”, avalia.

 

Na avaliação do CEO e fundador da Nintx, Stephani Saverio, a descoberta de medicamentos inspirados na biodiversidade brasileira vive um momento de transformação impulsionado pela convergência entre inteligência artificial, biologia de sistemas e plataformas experimentais avançadas. “O novo Centro Embrapii fortalece esse futuro”, afirma. A Nintx já desenvolve projetos de descoberta de fármacos em parceria com o CNPEM, e, segundo Saverio, a iniciativa marca “o início de uma nova fase para a inovação baseada na biodiversidade brasileira”.

 

Biodiversidade como fonte de novos medicamentos

 

O plano de trabalho prevê a integração de competências científicas e tecnológicas ao longo de toda a cadeia de inovação farmacêutica, desde a prospecção de compostos naturais até etapas avançadas de desenvolvimento pré-clínico.

 

Entre as principais linhas de pesquisa estão a descoberta de novas moléculas bioativas oriundas da biodiversidade brasileira; o desenvolvimento de rotas tecnológicas para obtenção e escalonamento de IFAs inovadores; a aplicação de ferramentas avançadas de biologia molecular, química medicinal e bioinformática na identificação de candidatos a fármacos; os estudos de eficácia, segurança e validação pré-clínica de compostos promissores; e o desenvolvimento de plataformas tecnológicas para acelerar a transformação de ativos naturais em produtos farmacêuticos.

 

Infraestrutura de classe mundial a serviço da saúde

 

Reconhecido internacionalmente, o CNPEM abriga um dos mais completos ecossistemas de pesquisa do país, incluindo laboratórios de biociências, nanotecnologia, materiais avançados e o Sirius, um acelerador de partículas – um dos mais sofisticados equipamentos científicos do mundo – que permite investigar estruturas moleculares com alto grau de precisão e apoiar etapas críticas do desenvolvimento de novos medicamentos.

 

Além da infraestrutura laboratorial, o Centro de Competência contará com uma rede de colaboração envolvendo empresas farmacêuticas, startups, universidades, instituições de pesquisa e parceiros nacionais e internacionais, criando um ambiente voltado à inovação aberta e à transferência de tecnologia para o setor produtivo.

 

Formação de especialistas para um setor estratégico

 

Outro pilar da atuação do Centro de Competência será a formação de recursos humanos altamente qualificados para atuar em áreas consideradas críticas para o futuro da indústria farmacêutica brasileira.

 

O programa prevê a capacitação de pesquisadores, profissionais da indústria e estudantes em competências relacionadas à descoberta de fármacos, química medicinal, biotecnologia, desenvolvimento farmacêutico, escalonamento produtivo e transferência tecnológica. A expectativa é contribuir para reduzir um dos principais gargalos do setor: a escassez de especialistas em desenvolvimento de medicamentos inovadores.

 

Sobre os Centros de Competência Embrapii

 

Os Centros de Competência Embrapii têm como objetivo conduzir pesquisas de alto impacto e preparar talentos para liderar a indústria do futuro. Esta rede reúne instituições de excelência com comprovada capacidade técnica e científica, capital humano altamente qualificado e infraestrutura de ponta atuando na fronteira do conhecimento — áreas estratégicas que ainda demandam intensa pesquisa para gerar novas competências e apoiar o desenvolvimento industrial do país.

 

Além de pesquisa de ponta, os Centros são grandes impulsionadores de startups deep tech, acelerando novos modelos de negócio e levando soluções inovadoras da pesquisa científica para o mercado. Um ecossistema único, que conecta ciência, tecnologia e indústria para transformar desafios em oportunidades para o Brasil.

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