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inovação e tecnologia na indústria.
Publicado em 6 outubro, 2026
Atualizado em 6 outubro, 2026
Uma tonelada de biomassa pode ter destinos muito diferentes. Pode ser tratada como resíduo. Pode ser queimada para gerar energia. Pode entrar em um processo industrial de baixo valor agregado.
Ou pode se transformar em moléculas, ingredientes, materiais e produtos capazes de abrir novas fontes de receita.
Essa diferença não depende apenas da matéria-prima. Depende da tecnologia disponível para descobrir, extrair, transformar, formular, testar e escalar aquilo que existe nela.
É nesse ponto que a Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia entra na equação.
Credenciada pela Embrapii para desenvolver projetos industriais em biotecnologia com foco em química e bioquímica de renováveis, a Unidade trabalha na conversão eficiente e sustentável de biomassa em biocombustíveis, produtos químicos e materiais de origem renovável. Sua atuação reúne quatro eixos estratégicos:
– Microrganismos e Enzimas
– Tecnologia e Química da Biomassa
– Biotecnologia Industrial e Agrícola
– Biocombustíveis e Bioprodutos
Há ainda uma oportunidade adicional para empresas que atuam com a biodiversidade amazônica: a Embrapa Agroenergia está habilitada na parceria Embrapii e BNDES na frente de Bioeconomia Florestal, Economia Circular e Novos Biocombustíveis que disponibiliza recursos não reembolsáveis para projetos elegíveis de inovação.
Na prática, isso cria um caminho para uma pergunta que interessa cada vez mais à indústria: como transformar recursos biológicos renováveis em produtos de maior valor agregado?
A Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia desenvolve projetos de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) em bioquímica e química de renováveis, com competências relacionadas à conversão de biomassa, biotecnologia industrial, biomateriais, bioquímica e químicos renováveis.
Entre as possibilidades estão novos bioprodutos, compostos químicos renováveis, ingredientes e insumos de origem biológica, processos biotecnológicos e aproveitamento de biomassas e coprodutos.
Na parceria entre Embrapii e BNDES, a Unidade está habilitada para projetos de Bioeconomia Florestal, Economia Circular e Novos Biocombustíveis cujo objetivo é desenvolver tecnologias para a exploração econômica sustentável da biodiversidade amazônica e fortalecer cadeias produtivas locais. Startups, pequenas empresas e empresas industriais podem acessar essa frente, desde que o projeto esteja enquadrado nas condições do programa.
Existe uma tendência de associar bioeconomia apenas à substituição de matérias-primas fósseis por renováveis.
Essa mudança é importante, mas conta apenas parte da história.
O potencial econômico da biodiversidade também está na capacidade de descobrir novas funções e aplicações para recursos biológicos, desenvolver processos industriais mais eficientes e aumentar o valor capturado por cadeias que já existem.
Uma biomassa residual pode conter moléculas de interesse industrial. Um recurso florestal pode originar um novo ingrediente. E um coproduto que hoje possui aplicação limitada pode servir como matéria-prima para um químico renovável.
O desafio é que existe uma distância considerável entre identificar esse potencial e chegar a um processo industrial ou produto comercialmente viável.
Essa distância é preenchida por Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação.
A Embrapa Agroenergia foi criada em 2006 e atua em pesquisa e inovação. Como Unidade Embrapii, desenvolve projetos em parceria com o setor industrial na área de biotecnologia, com foco em bioquímica e química de renováveis.
Seu trabalho está organizado em quatro grandes eixos:
– Microrganismos e Enzimas
– Tecnologia e Química da Biomassa
– Biotecnologia Industrial e Agrícola
– Biocombustíveis e Bioprodutos
Essa combinação importa porque um projeto de bioeconomia raramente termina na identificação de uma matéria-prima promissora.
É necessário entender sua composição, definir rotas de transformação, desenvolver processos, avaliar desempenho e avançar na maturidade tecnológica até que a solução faça sentido para o mercado.
A Unidade trabalha justamente nesse espaço entre potencial biológico e aplicação industrial.
Um exemplo ajuda a tornar essa lógica mais concreta.
O setor de papel e celulose gera lignina kraft em grande escala. Em vez de enxergá-la apenas como um recurso para cogeração de energia, é possível investigar aplicações de maior valor agregado.
A própria Embrapa Agroenergia possui projeto voltado ao reaproveitamento de lignina kraft industrial para produção de químicos. O projeto traz a possibilidades de aplicação da lignina em compostos químicos renováveis, ligantes, dispersantes, emulsificantes e sequestrantes.
Outro projeto da Unidade trabalhou o desenvolvimento de moléculas verdes a partir de biomassa lignocelulósica residual, utilizando resíduos de cadeias como cana-de-açúcar. Há também uma linha de atuação com aproveitamento da glicerina, que é co-produto da produção de biodiesel.
Esses exemplos ajudam a explicar uma mudança de perspectiva importante.
O resíduo de uma operação pode ser a matéria-prima de outra e aquilo que hoje possui baixo valor pode esconder uma molécula, material ou funcionalidade capaz de criar um novo produto.
Essa é uma das lógicas mais poderosas da bioeconomia.
Um dos projetos realizados trabalhou a produção de variedades comerciais de cana-de-açúcar transgênica para aumento da biomassa e da produção de etanol de primeira e segunda geração.
Outro realizou a prospecção de extratos e compostos bioativos de fungos e plantas para aplicação no controle de fitonematoides.
Um terceiro envolveu a produção de bioestimulantes vegetais derivados de macroalgas ou cianobactérias.
São desafios diferentes, mas há algo em comum entre eles: todos dependem de transformar conhecimento biológico em tecnologia aplicável.
É justamente esse processo que pode interessar a empresas que identificaram uma oportunidade em determinada biomassa, molécula, microrganismo ou processo, mas ainda precisam vencer barreiras tecnológicas antes de chegar ao mercado.
A parceria entre Embrapii e BNDES cria, frentes específicas nas áreas de Bioeconomia Florestal, Economia Circular e Novos Combustíveis.
Seu objetivo não é financiar indistintamente qualquer projeto que utilize biomassa. A frente é direcionada à exploração econômica sustentável da biodiversidade amazônica, utilizando tecnologias aplicadas às cadeias produtivas nativas e buscando também o fortalecimento social local.
Podem acessar essa frente startups, pequenas empresas e empresas industriais.
As áreas temáticas são amplas e revelam quantos pontos das cadeias produtivas podem receber inovação:
– Sistemas agroflorestais e fruticultura;
– Manejo de produtos não madeireiros;
– Manejo madeireiro sustentável;
– Pesca e aquicultura;
– Certificação, logística, conectividade, qualidade, automação e rastreabilidade.
Além de aplicações em indústria extrativa, fármacos e biofármacos, cosméticos, polímeros, têxteis, produtos químicos, papel e celulose, borracha e plástico, tintas, máquinas e equipamentos, entre outras.
Essa amplitude permite olhar para a bioeconomia não apenas a partir da floresta, mas de toda a cadeia que transforma um recurso biológico em produto, renda e atividade industrial.
Uma empresa de cosméticos e uma indústria química podem parecer distantes quando observadas pelo produto final.
Na origem da inovação, porém, elas podem enfrentar perguntas semelhantes.
– Existe algum composto bioativo interessante nessa matéria-prima?
– É possível extrair esse componente de forma eficiente?
– Como preservar sua funcionalidade?
– É possível transformar determinado recurso renovável em um ingrediente ou intermediário químico?
– O processo funciona apenas em laboratório ou pode avançar para uma escala relevante?
– O produto resultante apresenta características adequadas para a aplicação desejada?
Essas são perguntas de desenvolvimento tecnológico e ajudam a explicar os motivos pelos quais as frentes de Bioeconomia Florestal, Economia Circular e Novos Combustíveis do BNDES não estão limitadas a um único segmento industrial.
A matéria-prima pode nascer em uma cadeia da biodiversidade. O valor agregado, porém, pode aparecer muitos elos depois.
Projetos de bioeconomia carregam um desafio conhecido por quem trabalha com inovação: o potencial aparece antes da certeza.
Uma biomassa pode apresentar características promissoras, mas ainda é preciso encontrar a rota adequada de conversão.
Um composto pode funcionar em escala laboratorial, mas exigir mudanças para chegar a uma escala maior.
Uma aplicação pode parecer tecnicamente viável, mas ainda precisar de experimentação, validação e otimização.
Esse risco tecnológico é uma das razões pelas quais boas oportunidades podem permanecer paradas.
Na parceria Embrapii e BNDES, os projetos são executados por Unidades Embrapii habilitadas, que recebem recursos do Funtec – Fundo de Desenvolvimento Técnico-Científico. A Embrapa Agroenergia aparece entre as Unidades habilitadas para Bioeconomia Florestal.
Isso permite combinar três elementos em um mesmo projeto: o desafio da empresa, a competência científica e tecnológica da Unidade e recursos financeiros não reembolsáveis para projetos elegíveis.
As condições variam conforme o perfil da empresa e a modalidade.
Atualmente, empresas com Receita Operacional Bruta superior a R$ 90 milhões podem receber até 1/3 do valor do projeto em recursos não reembolsáveis.
Para startups e PMEs com Receita Operacional Bruta inferior a R$ 90 milhões, o apoio pode chegar a 50% do valor total. Projetos cooperativos que contem com pelo menos uma empresa abaixo desse limite também podem receber 50%.
Há ainda uma condição especialmente relevante quando falamos de bioeconomia amazônica: projetos apresentados por empresas da Região Norte, independentemente da Receita Operacional Bruta, podem receber até 50% do valor total em recursos não reembolsáveis, desde que atendam às condições previstas, entre elas ter CNPJ registrado há pelo menos dois anos.
O percentual não é automático. O projeto precisa ser avaliado e enquadrado nas regras da parceria.
Outro aspecto relevante da frente de Bioeconomia Florestal é a amplitude dos estágios tecnológicos contemplados.
Os projetos podem estar entre TRL 2 e TRL 9, da formulação de um conceito tecnológico até uma solução pronta para o mercado.
Isso é muito importante em biotecnologia. Nem toda empresa chega com um produto praticamente pronto para escalar.
Às vezes, o ponto de partida é uma hipótese: determinado recurso biológico parece possuir uma propriedade interessante e é necessário investigar como explorá-la.
Em outros casos, a rota tecnológica já existe, mas precisa ganhar eficiência.
Há também situações em que o produto já foi desenvolvido em determinada escala e o desafio está em aproximá-lo das condições necessárias para sua aplicação comercial.
Essa diversidade de maturidade é coerente com o próprio modelo da Embrapa Agroenergia, voltado à geração de ativos pré-tecnológicos e tecnológicos para inserção no mercado de inovação.
Essa pode ser uma das perguntas mais interessantes para começar uma conversa com a Unidade.
Uma empresa não precisa necessariamente chegar dizendo que deseja desenvolver determinado composto químico por uma rota específica.
Pode chegar com um desafio. Algo como “geramos essa biomassa e hoje ela possui pouco valor.” ou até mesmo “temos acesso a este recurso biológico e queremos investigar aplicações industriais.”
A partir do problema e da oportunidade, a Unidade Embrapii pode avaliar o caminho tecnológico.
Para acessar os recursos da parceria com o BNDES, a empresa deve procurar diretamente uma Unidade habilitada e apresentar seu desafio. Não há intermediação da Embrapii nessa negociação, e as Unidades possuem autonomia para decidir quais projetos irão executar.
No caso da Embrapa Agroenergia, o modelo regular da Unidade também opera em fluxo contínuo: a empresa pode negociar diretamente sem precisar esperar a abertura de um edital.
Se uma empresa precisa de um equipamento, insumo ou processo já disponível comercialmente, a resposta provavelmente está em uma relação convencional entre fornecedor e cliente.
PD&I começa quando existe algo que ainda precisa ser descoberto, desenvolvido, aprimorado ou validado.
Na bioeconomia, essa incerteza pode aparecer em diferentes pontos.
Na escolha e preparação da biomassa. Na seleção de microrganismos ou enzimas. Na obtenção de determinada molécula. No rendimento de uma rota. Na estabilidade de um ingrediente. Na formulação de um biomaterial. No desenvolvimento de um processo industrial.
A Unidade Embrapa Agroenergia trabalha justamente com esse tipo de desafio. Seu modelo de inovação aberta permite tanto negociar tecnologias desenvolvidas quanto cooperar com empresas e instituições para o codesenvolvimento de novas soluções.
Para a empresa, isso significa não precisar construir internamente, do zero, toda a capacidade científica necessária para explorar uma oportunidade.
Vale começar por quatro perguntas.
– Existe uma biomassa, recurso biológico, coproduto ou resíduo com potencial ainda pouco explorado?
– Há uma aplicação de maior valor agregado que sua empresa gostaria de investigar?
– Existe uma barreira científica ou tecnológica entre essa oportunidade e um produto ou processo viável?
– O desafio possui aderência às cadeias e aos objetivos da Bioeconomia Florestal previstos na parceria Embrapii e BNDES?
Se as respostas apontarem para uma oportunidade, o próximo passo não precisa ser elaborar internamente todo o projeto.
Pode ser conversar com quem possui a competência para desenvolvê-lo.
Uma das maiores oportunidades da bioeconomia brasileira talvez esteja justamente em mudar a forma como olhamos para aquilo que já temos.
A Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia atua com expertise, por exemplo, em agregação de valor a resíduos das cadeias de bioenergia, como glicerina, vinhaça e bagaço da cana.
É nessa passagem de recurso para conhecimento, de conhecimento para tecnologia e de tecnologia para produto que a bioeconomia ganha escala industrial.
A Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia reúne competências em bioquímica de renováveis, biotecnologia industrial, biomateriais, químicos renováveis e conversão sustentável de biomassa que podem ajudar no desafio da sua empresa.
Por isso, se você enxerga potencial em uma biomassa, em um recurso da biodiversidade ou em um coproduto que ainda não encontrou sua melhor aplicação, entre em contato com a Unidade Embrapii Embrapa Agroenergia e transforme sua ideia em um projeto concreto.
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