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Publicado em 31 março, 2026
CT Vacinas/UFMG coordenará Centro de Competência Embrapii em Vacinas e Terapias em RNA com investimento de R$ 60 milhões
Em movimento alinhado à agenda de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e o Ministério da Saúde vão investir R$ 60 milhões na criação do Centro de Competência Embrapii em Vacinas e Terapias em RNA (CC-RNA), voltado ao desenvolvimento de soluções baseadas em RNA mensageiro (mRNA). A iniciativa busca posicionar o Brasil na fronteira tecnológica de uma das plataformas mais estratégicas da biotecnologia global, ampliando a capacidade nacional de desenvolver vacinas contra doenças como malária, influenza, dengue e Chikungunya, além de terapias antitumorais e tratamentos para hemofilia e doenças hereditárias.
Coordenado pelo Centro de Tecnologias em Vacinas da UFMG (CT Vacinas), o novo polo atuará em parceria com empresas para desenvolver imunizantes e terapias avançadas, formar mão de obra especializada, atrair investimentos privados e fomentar startups para fortalecer a cadeia produtiva da saúde no Brasil.
A tecnologia mRNA ganhou protagonismo global após a pandemia e hoje concentra parte relevante dos investimentos internacionais em biotecnologia. A criação do CC-RNA busca reduzir a dependência externa em insumos e plataformas tecnológicas estratégicas, além de estimular a participação da indústria nacional em um mercado de alto valor agregado.
A proposta posiciona o Centro como uma plataforma estruturada para atuar da concepção científica aos ensaios clínicos (Fase I), consolidando-se, nos próximos quatro anos, como referência nacional em mRNA. O objetivo é entregar tecnologias proprietárias, patentes e soluções escaláveis para vacinas e terapias utilizando mRNA, reduzindo a dependência externa e fortalecendo a soberania tecnológica do país.
Indústria e sociedade
Para o setor produtivo, o Centro de Competência oferece acesso a uma plataforma tecnológica avançada em RNA e nano formulações lipídicas (LNP), com infraestrutura para prototipagem, controle e garantia da qualidade, produção de lotes clínicos e interação regulatória. O modelo de inovação prevê projetos cooperativos com empresas estatais e privadas, transferência de tecnologia e geração de royalties.
Para o Brasil, os ganhos incluem a produção local de vacinas e terapias estratégicas para o Sistema Único de Saúde (SUS), formação de especialistas altamente qualificados, geração de empregos técnicos e científicos, atração de mão de obra internacional, e maior capacidade de resposta a emergências sanitárias.
Estrutura de ponta
Localizado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, o Centro de Competência contará inicialmente com a infraestrutura do CT Vacinas UFMG, onde já foram investidos cerca de R$ 40 milhões em laboratórios e escritórios instalados no BH-TEC. A partir de 2027, o Centro passará a operar em uma estrutura ainda mais robusta, no quarto andar do novo prédio do Centro Nacional de Vacinas, também localizado no BH-TEC, atualmente em fase final de construção com recursos dos governos federal e estadual.
Em atividade desde 2016, o CT Vacinas já captou mais de R$ 500 milhões junto a diferentes agências de fomento para projetos de pesquisa e desenvolvimento. Esses investimentos resultaram na publicação de mais de 40 artigos científicos em tecnologias de RNA, no registro de sete patentes — uma delas já licenciada para uma empresa internacional — e na formação de uma base sólida de recursos humanos, com 495 estudantes de pós-graduação e jovens pesquisadores formados ao longo dos últimos anos.
A equipe mantém colaborações científicas com importantes centros nacionais e internacionais. Entre elas está a parceria com o pesquisador laureado com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2006, Craig Mello, da Universidade de Massachusetts, reconhecido pela descoberta da interferência por RNA. O grupo também mantém interação com pesquisadores da University of Pennsylvania, onde atuam os cientistas Drew Weissman e Katalin Karikó, premiados com o Nobel de Medicina de 2023 pelos avanços que viabilizaram as vacinas de RNA mensageiro contra a Covid-19. Essas parcerias, somadas à forte interação com empresas da área de saúde, conectam o Brasil à fronteira global das tecnologias baseadas em RNA e ampliam a capacidade nacional de desenvolver soluções inovadoras com potencial industrial.
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