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Publicado em 8 outubro, 2024
A pandemia da COVID-19, com suas diferentes consequências para a dinâmica econômica, deixou exposta a necessidade de fortalecimento da cadeia produtiva nacional para evitar a dependência drástica de importação. A mais evidente foi no caso dos equipamentos da área saúde, mas não se restringe a esse setor. A indústria eletrônica também sofreu muito – segundo a Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), 68% das empresas do setor projetam queda da produção neste ano.
No cenário de crise sanitária e econômica, torna-se mais visível a necessidade de ter uma cadeia de fornecedores fortalecida no país, capaz de atender à demanda de produção nacional. Entretanto, cabe um alerta para o direcionamento e profundidade desse debate: a discussão deve ser mais estratégica, sem se limitar à necessidade de as empresas produzirem e montarem no país. Uma indústria local forte e perene depende de constantes e rotineiros investimentos em inovação.
O progresso tecnológico, no mundo, tem se acelerado. O conhecimento é cada vez menos codificável. Diante desse cenário, o intercâmbio de experiências se apresenta como essencial ao desenvolvimento da indústria nacional e ao fortalecimento das cadeias produtivas do país.
É imperativo que empresas trabalhem em parceria com seus fornecedores e usuários, provocando inovações, alinhando desafios tecnológicos e gerando conhecimento. Não é raro organizações empresariais se trancarem em suas tecnologias internas e deixarem de ver como outros conhecimentos poderiam somar às suas estratégias inovadoras.
Outra relação que se faz fundamental à indústria é a integração com centros de pesquisa de alta competência tecnológica, infraestrutura de ponta, gestão eficiente de processos e de risco. Nesse contexto, a EMBRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) tem um papel essencial para apoiar o setor produtivo nas suas atividades de inovação.
A instituição já fomentou quase mil projetos de empresas com centros de pesquisa credenciados (Unidades EMBRAPII), com recursos não reembolsáveis. Cerca de uma centena deles são cooperativos, ou seja, envolvem a participação de mais de uma empresa. Há exemplos de grandes organizações em parceria com startups, empresas da mesma cadeia produtiva e até concorrentes.
Para a saída da crise, em um cenário pós-Covid-19, a inovação será mais essencial do que nunca. O fomento à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) tem que ser ágil, flexível, sem burocracia e com gestão eficiente. Desenvolver projetos cooperativos entre diferentes empresas ao lado das Unidades EMBRAPII leva à redução de risco, de custo e ao fortalecimento das relações na cadeia produtiva. Assim, a EMBRAPII se apresenta como uma instituição capaz de alavancar os esforços inovativos.
Como coordenadora do programa prioritário de Internet das Coisas (IoT) e Manufatura 4.0, a EMBRAPII ainda contribui com as empresas associadas à Abinee e fortalece a cadeia do setor. Há, inclusive, um mecanismo de apoio específico para projetos cooperativos nessa área, com recursos não reembolsáveis, podendo chegar a até 50% do valor do projeto.
Apostando em inovação e unindo esforços de empresas e centros de pesquisas, temos todos os elementos necessários para contornar a crise e retomar o crescimento, incentivando a construção de uma indústria mais sólida, menos dependente e mais competitiva.
JOSÉ LUIS GORDON
DIRETOR DE PLANEJAMENTO E GESTÃO DA EMBRAPII.
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