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Publicado em 23 dezembro, 2020
Desenvolvimento e escalabilidade de enzima sinalizam maior autonomia do país para a testagem
O Centro de Química Medicinal da Unicamp desenvolveu um modelo de produção de enzimas de alta especificidade para ser usado na testagem de COVID-19 com amostras de saliva. A tecnologia permitiu a entrega de insumos para 400 mil testes a empresa parceira Mendelics Análise Genômica em menos de dois meses de pesquisa.
“Durante o desenvolvimento das enzimas, nossa equipe simultaneamente abreviou o processo de produção e aumentou a pureza das enzimas. Desde o lote piloto de enzimas produzidas já verificamos que a qualidade é equivalente às importadas”, diz Katlin Massirer, pesquisadora do CQMED e coordenadora do projeto na Unicamp.
O projeto é apoiado pela Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII), que soma 62 ações para tratar e prevenir o avanço da doença no país.
“Desde o início da pandemia no Brasil, a EMBRAPII tem atuado para incentivar soluções tecnológicas que permitam combater seu avanço no território nacional, e o desenvolvimento de insumos para testes diagnósticos é uma dela. A produção do insumo no país permitirá um produto economicamente mais acessível e a independência da importação”, destaca o diretor de Operações da EMBRAPII, Carlos Eduardo Pereira.
As enzimas foram validadas para equivalência com as importadas pelo laboratório clínico Mendelics, utilizando amostras de saliva que chegam diariamente de todo Brasil ao laboratório no bairro Santana em São Paulo.
O laboratório Mendelics está realizando atualmente 90 mil testes por mês e a escalabilidade dos reagentes é um passo importante para a autonomia do país. Nosso desenvolvimento contribui para ampliar a capacidade de testagem em massa, considerada ainda um dos gargalos para a definição de políticas públicas de enfrentamento da pandemia de SARS-COV 2.
O teste de saliva para COVID 19, chamado RT-LAMP, tem a mesma qualidade que o PCR, e está possibilitando a testagem em locais com menos recursos no país. “O RT-LAMP é mais rápido e mais barato, pois baseia-se no uso de enzimas de alta especificidade e dispensa o uso de equipamentos caros”, explica o Dr Mario Bengtson, professor do Instituto de Biologia da Unicamp e pesquisador principal do projeto. O procedimento de teste RT-LAMP executado pela Mendelics foi recentemente publicado de forma aberta. Você pode ter acesso clicando aqui.
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