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Publicado em 20 maio, 2026
Prata palestra em evento de comemoração dos 25 anos do CGEE CRÉDITO: CGEE/divulgação
Alvaro Prata falou sobre modelo de OS para Ciência, Tecnologia e Inovação em seminário comemorativo aos 25 anos do CGEE
O presidente da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), Alvaro Prata, participou nesta terça-feira (19) como painelista do seminário “O Modelo de Organizações Sociais para fomento de políticas públicas: Atualidade, Aprendizados e Caminhos de aperfeiçoamento” – evento realizado no âmbito das comemorações dos 25 anos do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE).
No painel Atualidade do modelo para Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), Prata falou sobre o modelo de Organização Social (OS) diante das demandas contemporâneas relacionadas à inovação, à transformação tecnológica e à articulação entre Estado e sociedade. A sessão foi conduzida pelo professor Mariano Laplane, assessor especial da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), e contou também com a participação do empresário e professor aposentado da Universidade de São Paulo (USP), João Fernando Oliveira.
Prata reforçou o papel estratégico da Embrapii no apoio à competitividade industrial, destacando que a instituição tem como missão aproximar ciência e setor produtivo, levando inovação para empresas brasileiras. Segundo ele, o modelo operacional da organização combina autonomia das unidades credenciadas com acompanhamento próximo da execução dos projetos. “As Unidades representam os especialistas que atendem à indústria nas suas demandas tecnológicas, seja uma dor, um desafio ou uma inovação que a empresa quer testar e colocar em prática”, afirmou.
O presidente destacou que a atuação da instituição não está limitada a um setor ou porte específico. “Desde que você tenha um CNAE industrial, pode ser parceiro da Embrapii se a demanda envolver tecnologia”, explicou, complementando que a efetividade do modelo está diretamente relacionada à confiança nas unidades credenciadas, que negociam diretamente com as empresas e decidem sobre a contratação dos projetos, enquanto a Embrapii assegura o cumprimento das diretrizes e acompanha os resultados.
Prata também apresentou números que evidenciam o crescimento acelerado da organização. Em 2024, foram contratados 647 projetos. Em 2025, esse volume subiu para 821, e a expectativa, conforme enfatizou, é alcançar mil novos projetos ainda este ano. Para ele, a expansão também se reflete no volume de investimentos: apenas em 2025, os projetos somam cerca de R$ 1,5 bilhão, com a Embrapii entrando com aproximadamente um terço do valor, compartilhando o risco tecnológico com a indústria.
De acordo com ele, a Embrapii vem crescendo, nos últimos cinco anos, a uma taxa média de 30% ao ano, mas enfrenta obstáculos relacionados à previsibilidade de recursos para sustentar essa expansão. “Para dar segurança às Unidades e permitir que elas continuem contratando projetos quando a indústria apresentar demandas é preciso ter condições de honrar os compromissos. O desafio é garantir recursos desde o início do ano e previsibilidade orçamentária”, lembrou.
Prata explicou que, diante do aumento da demanda, a Embrapii tem ampliado suas fontes de financiamento e fortalecido parcerias, mantendo contrato de gestão com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e atuando também em cooperação com instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além de articulações com outros ministérios e programas prioritários. Embora essas parcerias ampliem o alcance da instituição, disse, também trazem desafios adicionais, uma vez que cada parceiro possui regras próprias para gestão e prestação de contas.
“O sistema brasileiro e o regramento jurídico muitas vezes engessam. Cada vez que ampliamos parceiros, ampliamos também as exigências e particularidades na gestão desses recursos”, observou. Ainda assim, avaliou que a organização está preparada para operar nesse cenário, desde que haja condições estruturais e orçamentárias para manter sua trajetória de crescimento.
Como exemplo do volume de atuação, o presidente afirmou que a Embrapii executa atualmente cerca de 1.400 projetos simultaneamente, todos com recursos não reembolsáveis do governo federal. “Não tem nenhuma instituição hoje no Brasil que esteja executando essa quantidade de projetos. Isso exige um esforço enorme de acompanhamento e prestação de contas. Mas, como organização social que preza pela inovação, buscamos introduzir inovação também nos nossos processos”, citou.
Embrapii como modelo de OS na área de CT&I
O professor aposentado da USP e empresário João Fernando Oliveira também destacou o papel da Embrapii como um exemplo bem-sucedido de aplicação do modelo de Organizações Sociais na área de CT&I, ressaltando sua capacidade de combinar eficiência e flexibilidade. “A pesquisa para a inovação é diferente da pesquisa acadêmica. Enquanto a pesquisa acadêmica se preocupa em avançar as fronteiras do conhecimento, a pesquisa para a inovação se insere num contexto de negócios e busca um leque de soluções custo-efetivas e viáveis”, afirmou. Segundo Oliveira, nesse tipo de processo “o escopo muda toda hora”, o que exige autonomia e rapidez para evitar que a burocracia comprometa resultados e competitividade.
Na mesma linha, o assessor especial da Finep, Mariano Laplane, ressaltou a trajetória da Embrapii como um exemplo de construção de capacidades institucionais no âmbito do Estado brasileiro. “A Embrapii foi pensada antes e testada antes mesmo da definição de que o modelo seria OS”, mencionou, esclarecendo que houve um período de experimentação com unidades-piloto, com apoio direto da Finep, para avaliar a viabilidade do formato. Para ele, essa memória institucional deve ser preservada e servir de referência para políticas futuras. “Essa característica do processo de aprendizagem, aprender como fazer isso, é uma memória que a gente deve guardar porque vai ser útil”.
Organizações Sociais e políticas públicas de inovação
O seminário teve por objetivo reforçar a importância de se aprimorar mecanismos de governança e gestão e de se discutir ajustes normativos que fortaleçam as parcerias entre o Estado e as Organizações Sociais. A etapa final do encontro foi dedicada à construção de propostas voltadas ao aperfeiçoamento do modelo, de modo a contribuir para o fortalecimento de políticas públicas estratégicas e para o avanço da inovação no Brasil.
Reunindo especialistas, gestores públicos e representantes de instituições estratégicas, o encontro promoveu debates sobre o papel das OS na execução de políticas públicas e sua contribuição para o fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I).
Sobre a Embrapii
A Embrapii é uma organização social que atua em cooperação com Instituições de Ciência e Tecnologia, públicas ou privadas, para atender ao setor empresarial e fomentar a inovação na indústria. Para isso, conecta centros de pesquisa e empresas, compartilhando os custos da inovação ao aportar recursos não reembolsáveis em projetos que levem à introdução de novos produtos e processos no mercado.
Para ter acesso ao modelo, a empresa deve apresentar seu desafio tecnológico à Unidade Embrapii com a competência técnica que se enquadra às necessidades do projeto. A Embrapii possui contrato de gestão com o Governo Federal, por meio dos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, da Saúde e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Além disso, possui parceria com o Sebrae e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
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